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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Arqueólogos descobrem blocos com inscrições de antiga dinastia egípcia

Cairo, 27 jun (EFE).- Uma missão de arqueólogos franceses descobriu no Egito centenas de blocos de pedra com inscrições e desenhos de cores vivas que datam da dinastia XXII (945-712 a.C.), anunciou nesta segunda-feira o Ministério de Estado para as Antiguidades.



Descobertas na região de San el Hagar, na província de Sharqiya, no nordeste do país, as pedras foram reutilizadas por outras dinastias na construção do muro de um lago sagrado destinado ao templo do deus Mut.

Os arqueólogos devem continuar as escavações na área até localizar todos os blocos, cerca de 2 mil peças, para poder reconstruir o templo antigo do qual faziam parte seguindo as inscrições. Dos blocos recuperados, os arqueólogos limparam até agora 120 peças, das quais 78 possuem inscrições.



Há um ano, a missão de arqueólogos franceses tenta descobrir também o lago sagrado, que tem superfície de 30 metros, largura de 12 metros e profundidade de 6 metros.



Segundo o comunicado, a descoberta arqueológica atribui mais importância à localidade de San el Hagar, conhecida na antiguidade como o Luxor do norte do Egito. EFE

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ERAS EGÍPCIAS



A Magia da Civilização Egípcia é especial e única no mundo. Seus conhecimentos sobre o mundo dos mortos e dos mistérios dos céus, tornaram os egípcios os verdadeiros precursores da Era de Aquarius. Afinal, o nascimento do Egito ocorreu num signo de AR, assim como a Era na qual estamos entrando agora.





Eras Astrológicas



Sacerdotes de antigas civilizações descobriram um aspecto celestial muito curioso. Eles observaram que a Estrela do Norte trocava de posição constantemente e, após 25.750 anos aproximadamente, ela voltava para sua posição "original", num processo cíclico.



A causa fundamental desta troca de posição é o giro que a Terra faz sobre seu próprio eixo (que tem uma inclinação de 23º 27'), num movimento conhecido como precessão dos equinócios. Esse movimento é lento e leva, mais ou menos, 25.750 anos para completar um ciclo.



Um determinado signo é atravessado a cada 2.146 anos (25.750 anos dividido por 12 signos) e durante esse período (ou era astrológica), o signo em questão influencia toda a humanidade. A transição de uma era para outra pode durar de 30 a 250 anos.



Esotericamente, cada era astrológica teve seu Avatar, ou grande mensageiro, que trouxe uma nova filosofia de vida para o momento. O Avatar da era de Touro foi Krishna, o de Áries foi Moisés (ou Akhenaton) e o de Peixes foi Jesus.



Vários povos esperam a vinda de um salvador para esse final de milênio, um Avatar que comandará o Juízo Final, eliminando todos os vícios da antiga civilização (era de Peixes) e preparando o terreno para um novo mundo (era de Aquarius). Esta idéia ainda é reforçada pelos cristãos que esperam novamente a vinda de Jesus.



Se considerarmos que cada era teve seu Mensageiro Divino, a era que inicia agora (Aquarius) também terá o seu. Os sinais de sua chegada já estão no AR.







As eras astrológicas são:







ERA DE LEÃO (10.914 até 8.768 a.C.)







O fogo representa a transmutação alquímica necessária para a purificação espiritual. Sua representação é a ave mitológica Fênix que renasce das cinzas, mais pura e mais forte do que antes.



Leão caracteriza aquele (ou aquilo) que está à frente do seu tempo; simboliza o poder real e tem o seu regente Amon-Rá (o Sol).



O ponto marcante da Era de Leão foi o mau uso do fogo (poder material oriundo da avançada tecnologia reinante na época) por parte dos atlantis o que ocasionou os cataclismas (9.500 a.C.) que destruíram o continente perdido descrito por Platão.



Segundo o médium norte-americano Edgard Cayce, a tecnologia moderna é apenas uma redescoberta dos conhecimentos uma vez existentes em Atlântida. Embora, os atlantis estivessem muito avançados cientificamente, muitos perderam o vínculo com o mundo espiritual, tornando-se escravos de seus desejos e emoções (filhos de Bestial). Isto levou à uma divisão e destruição do continente atlântico.



Na realidade, antes da destruição final de Atlântida, muitos atlantis migraram para o Egito e foram absorvidos pela cultura local. Sob o comando de um supremo sacerdote de Atlântida, o Egito começou a desenvolver transformações sociais, éticas, morais e religiosas profundas.



Esotericamente falando, o Egito é um fiel depositário dos conhecimentos sagrados de Atlântida, fato esse que poderia explicar o inexplicável: como um país, encravado no meio de um deserto, pôde construir uma civilização tão avançada e gloriosa enquanto que no resto do mundo as civilizações estavam apenas saindo da barbárie.







ERA DE CÂNCER (8.767 até 6.622 a.C.)







A água é o instinto, a fertilidade, a mediunidade e a purificação. É o único elemento que não possui representação humana, somente animais (Peixes, Câncer/caranguejo e Escorpião).



Câncer cresce a partir de experiências anteriores e representa, com toda sua exuberância e energia, o verão (hemisfério norte).



Atlântida, civilização ápice da era de Leão, foi destruída pelo mau uso da energia (fogo de Leão) e afundou (purificação pela água de Câncer) num local incerto. Seus sobreviventes precisaram usar as características da água (fusão, mistura, dissolução e instinto) e saíram à procura de outros lugares para morar(Egito, Índia, Gália, etc.). Essa epopéia é o ponto principal da Era de Câncer: é a reorganização cultural, o dilúvio universal purificador e a renovação espiritual (novas crenças, religiões e deuses).



É interessante notar que praticamente todos os povos do planeta possuem uma lenda ou mito sobre o dilúvio universal onde a água servia como fonte purificadora das raças. Nesses mitos, toda a civilização pré-diluviana existente era destruída e um novo ciclo de evolução era iniciado com os remanescentes bárbaros (exatamente o que aconteceu na Era de Câncer).







ERA DE GÊMEOS (6.622 até 4.476 a.C.)







O ar represente a liberdade, a elevação espiritual e material do homem. É o único elemento do zodíaco que não possui representação animal. Ar é o elemento mais humano, capaz de criar sociedades, fazer uniões e relações, ler, escrever, aprender, etc.



Gêmeos é representado por dois pilares que representam a bestialidade e a civilidade que o homem pode alcançar. Esotericamente, representa o portal do conhecimento (Mercúrio/Hermes Trimegistro/Thoth).



A era de Gêmeos foi marcada por grandes adaptações, já que, o homem estava saindo da barbárie (era de Câncer).



Curiosamente, observa-se nesse período a existência de várias lendas e mitos relacionados a irmãos gêmeos, entre eles, ressalta-se: Osíris (civilidade) e Seth (bestialidade) no Egito; Abel (civilidade) e Caim (bestialidade) na mitologia cristã.



Podemos, portanto, considerar o nascimento do Egito como ocorrendo na Era de Gêmeos (início da lenda de Osíris e Seth, num contraste típico desse signo: alto desenvolvimento do Império Egípcio (civilidade) contrastando com o quase-barbarismo dos demais povos do mundo (bestialidade).







ERA DE TOURO (4.476 até 2.330 a.C.)







A terra representa a percepção a partir de uma realidade própria (o que ela vê é o que ela conhece). Sua preocupação está na concretização de seus desejos básicos de subsistência.



Touro simboliza a matéria, as necessidades básicas, enfim, tudo aquilo que é tangível. É a busca "frenética" pela segurança.



Na Era de Touro a civilização começou a plantar e a cultivar a terra, abandonando a peregrinação e tornando-se sedentária. Como Touro (Terra) é oposto à Escorpião (Água), observa-se uma inter-relação bastante forte entre esses signos: a civilização teve início com o cultivo da terra (touro), estabelecendo-se sempre próxima a um grande rio ou manancial de água (escorpião).



As grandes religiões ligadas à terra surgiram na Era de Touro. O touro foi um animal adorado em vários lugares, principalmente no Egito, como o boi Ápis e a deusa Hathor. O faraó, como líder religioso, era considerado um deus que se comunicava com as forças espirituais, para trazer prosperidade, segurança e boas colheitas para sua terra.



Como não poderia deixar de ser, as ciências tridimensionais (astronomia, matemática, engenharia, medicina, etc.) começaram seu desenvolvimento em Touro.







ERA DE ÁRIES (2.330 até 184 a.C.)







O fogo representa a transmutação alquímica necessária para a purificação espiritual. Sua representação é a ave mitológica Fênix que renasce das cinzas, mais pura e mais forte do que antes.



Áries simboliza o nascimento, o início, o despertar de uma nova realidade. É a prepotência, a impulsividade a independência.



Áries foi a Era das guerras, das conquistas e do poder pessoal dos reis e faraós. As civilizações ligadas à terra (e a Era de Touro) começaram a declinar, entre elas, o Egito.



Nessa era, novos povos começaram a dominar o panorama mundial: judeus, romanos e gregos, entre outros. O sol (símbolo máximo do fogo) é cultuado por várias religiões.



É interessante notar que o Deus do antigo testamento (vigente neste período) era um deus vingativo, masculino e extremamente ligado ao culto do fogo. Foi através de uma "sarça ardente (fogo)" que este Deus manifestou-se para Moisés e ele era glorificado com o sacrifício de carneiros (áries). O próprio Moisés, ao final da era de Touro, quebra um bezerro de ouro simbolizando o fim de uma era e início de outra.



Moisés (Avatar da Era de Áries) tomou uma atitude ativa e decidida ao conduzir os hebreus para a terra prometida, numa postura típica de ariano, isto é, aquele que não aceita ser apenas um assistente dos fatos e circunstâncias, mas sim, deseja (e é) sempre ser o sujeito principal da ação.



Houve o desenvolvimento de grandes centros de comércio e a metalurgia do ferro tornou-se comum (ferro metal de marte, planeta regente de áries)







ERA DE PEIXES (184 a.C. até 1962 d.C.)







A água é o instinto, a fertilidade, a mediunidade e a purificação. É o único elemento que não possui representação humana, somente animais (Peixes, Câncer/caranguejo e Escorpião).



Peixes contém em si a dualidade: o peixe espiritualizado e mártir e o peixe que foge da realidade. É o signo dos visionários, dos futuristas, mas também dos impressionáveis e influenciáveis.



A Era de Peixes é marcada pelo nascimento de Ichthys (peixe) ou Yeshua (salvador), mais conhecido como Jesus. Ele traz a mensagem de um Deus mais bondoso, compreensivo e feminino (típico do elemento água e descrito no Novo Testamento) em contrapartida ao Deus enérgico, irascível e masculino (típico do elemento fogo e descrito no Antigo Testamento) da era anterior, Áries.



A Bíblia cristã é cheia de simbolismo desta era: os apóstolos pescadores, o batismo de Cristo (água), o milagre da duplicação de pães e peixes, etc. Como Jesus é o marco separatório das duas eras (áries/peixes), seus símbolos são o cordeiro e o peixe. Até hoje Cristo é chamado de "o cordeiro de Deus que tirou os pecados do mundo", isto é, redimiu as civilizações da ultrapassada era de Áries e preparou a humanidade para uma nova era que se iniciava (Peixes).



A Era de Peixes aprisionou o Homem em um rígido sistema hierárquico e social (o ter tem mais valor que o ser), do qual ele não conseguiu se libertar. Este aprisionamento foi a causa de muitas lutas religiosas que se observaram nesta era. Por ser um signo de água, Peixes estimulou as conquistas e os descobrimentos marítimos.



Um signo responde ao "chamado" de seu oposto, portanto, o grande problema da era de Peixes foi o esquecimento de seu signo oposto, Virgem; faltou equilíbrio no eixo zodiacal Peixes-Virgem, provocando conseqüências desagradáveis para a humanidade.



Durante Peixes - a era da água (o princípio feminino), desenvolveu-se a Igreja Católica que, como grande MÃE, tinha a função de proteger seu FILHO (o homem) das penalidades impostas pelo severo PAI (Deus). Um dos símbolos usados pela Igreja para acalmar esse Deus (Peixes) foi a Virgem Maria, evidenciando o eixo zodiacal Peixes-Virgem de forma bastante acentuada.



É curioso notar que essa mesma Igreja que renega a astrologia tem todo seu simbolismo baseado em princípios astrológicos.







ERA DE AQUARIUS (1962 até 4.108 d.C.)







O ar represente a liberdade, a elevação espiritual e material do homem. É o único elemento do zodíaco que não possui representação animal. Ar é o elemento mais humano, capaz de criar sociedades, fazer uniões e relações, ler, escrever, aprender, etc.



Aquário dispensa as aparências externas e toma atitude impessoal e objetiva, típica do elemento ar. Tudo que não pode ser mais aproveitado é eliminado. É a procura pelo universal em contrapartida ao individualismo típico de Peixes.



Na Era de Aquarius, signo do elemento ar, novas formas de tecnologia e pensamento irão se impor ao período anterior, pisciano. A partir de 1962 podemos sentir uma influência cada vez maior de aquário: ocultismo, ufologia, faculdades extra-sensoriais, engenharia genética, cibernética, antimatéria, ecologia, etc. É o comportamento original, reformador e progressista desse signo de ar.



Aquarius impulsiona para cima e para frente. A busca pela liberdade global e pessoal se fará presente, a conquista do ar (espaço) será determinante na nova sociedade aquariana, assim como a quebra de velhos dogmas e preceitos da era de Peixes, tais como, hierarquia opressora, o ter torna-se mais importante que o ser, o capitalismo e o socialismo, etc.



Nota-se que a humanidade está mudando. Estamos próximos de uma guinada importante na evolução deste planeta. A proposta da nova Era é criar um mundo novo, de Paz e Amor, começando a mudança pelo coração do homem. Não podemos mais deixar que os outros intercedam por nós (como a Igreja fazia em Peixes), mas sim, precisamos tomar uma atitude mais realista e mudar o nosso próprio "eu".



"Quando a Lua estiver na sétima casa

E Júpiter se alinhar com Marte

Então a paz orientará os planetas

E o amor guiará as estrelas

Esse é o nascer da ERA de AQUARIUS"

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Novas esfinges são achadas em avenida que unia templos de Luxor e Karnak

Seg, 15 Nov, 06h53

Cairo, 15 nov (EFE).- Uma equipe de arqueólogos descobriu 12 novas esfinges, estátuas com corpo de leão e cabeça humana ou de carneiro, na antiga avenida que unia os templos faraônicos de Luxor e Karnak, a 600 quilômetros ao sul do Cairo.


Segundo um comunicado do Conselho Supremo de Antiguidades estas esculturas datam da época do último rei da 30ª dinastia (343-380 a. C.).


A avenida, ladeada por uma dupla fila de esfinges que representavam o deus Amon, tem cerca de 2.700 metros de comprimento e 70 de largura e foi construída por Amenhotep III (1372-1410 a.C.) e restaurada, posteriormente, por Nectanebo I (380-362 a.C.).


Por outro lado, os arqueólogos descobriram também um novo caminho que une a avenida onde foram achadas as estátuas, com o rio Nilo.


A nota explica que, até o momento, só foram desenterrados 20 metros dos 600 que compõem o novo caminho, e que continuam as escavações para descobrir o resto deste trajeto, construído com pedra de arenito, um sinal da importância que tinha em seu tempo, esclarece o comunicado.

O secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Zahi Hawas, explicou que o caminho achado era o que se utilizava para transferir em procissão a imagem do deus Amon em sua viagem anual ao templo de Luxor, para se encontrar com a imagem de sua mulher Mut.

Além disso, esta via era utilizada pelo rei quando participava de cerimônias religiosas, segundo Hawas. EFE


FARAÓS NO CONSULTÓRIO




As pirâmides não são o único legado do Antigo Egito. Graças a essa civilização, a Medicina começou a se organizar enquanto área da ciência.

O paciente entra na sala do médico e se queixa de dor de cabeça. Sai de lá aliviado, com a promessa de que seu mal terá fim. Para isso, garante-lhe o especialista, há uma receita infalível: beber, três vezes ao dia, a mistura de gordura de crocodilo, sêmen e fezes dissolvidas em urina. Consultas como essa eram comuns no Antigo Egito, em que a prosaica beberagem era, de fato, tão popular quanto os comprimidos de analgésicos, hoje em dia. 

Em diversos papiros, são citados medicamentos com ingredientes ainda mais estranhos do que os dessa prescrição contra dores de cabeça. Não que, ao longo da História, outras culturas não tenham criado remédios igualmente esquisitos. Mas, sem sombra de dúvida, os relatos da terra dos faraós são os mais antigos e ricos nesse sentido. Foi nos tempos em que se erguiam as pirâmides, também, mais de um milênio antes de Cristo, que a Medicina começou a se organizar. E, nesse sentido, poucas pessoas conhecem a importância dos antigos egípcios.

Costuma-se considerar a civilização do Antigo Egito um exemplo de morbidez, co-mo se ali só se pensasse na morte e na vida além-túmulo, sem dar importância para a saúde neste mundo. Mas, na verdade, os antigos egípcios nada tinham de mórbidos. Eles simplesmente acreditavam que a vida depois da morte era tão real e concreta quanto a terrena. E, esclareça-se, estudaram o tratamento de doenças como poucos povos contemporâneos. O médico no Antigo Egito era chamado de sunu, palavra equivalente a doutor. Só que, na realidade, os sunus se dividiam em três grupos de terapeutas. 

Existiam, em primeiro lugar, os sacerdotes da terrível deusa Sekhmet, acusada de ser a principal causadora de todos os males. O papel desses homens, que mantinham um bom relacionamento com a deusa, era aproveitar esse poder de influência para induzi-la a não punir determinada pessoa com doenças. 

Com esses sacerdotes, conviviam os magos, que tinham uma visão ligeiramente diferente do assunto. Para eles, a doença não era um simples castigo da deusa e, sim, a influência de um bando de maus espíritos - os quais, claro, eles tentavam exorcizar. Finalmente, a terceira categoria era a dos sunus, propriamente ditos, pessoas que recebiam instrução médica na chamada Per Ankh, que significa Casa da Vida. Era a faculdade de medicina da época, onde se podia aprender to-dos os princípios conhecidos sobre o funcionamento do organismo humano. Esses sunus, por sua vez, trabalhavam junto com os uts, como eram chamados os auxiliares de médicos - os primeiros enfermeiros de que se tem notícia.

Na prática, porém, todo sunu era também sacerdote da deusa ou mago à caça de maus espíritos. E essa combinação não bastava: pelos documentos que chegaram até os dias atuais, deduz-se que a maioria dos médicos ou sunus exercia paralelamente outras funções, como a de administrador, arquiteto ou escriba. Quer dizer, poucos arriscavam viver exclusivamente da medicina. Mesmo assim, quando o historiador grego Heródoto visitou o Egito, no século V a.C., espantou-se não apenas com o número de médicos, mas com o seu complexo grau de especialização. 

Enquanto, na Grécia Antiga, o médico perambulava de cidade em cidade, demonstrando em praça pública os seus conhecimentos, os médicos egípcios eram devidamente organizados e, geralmente, atendiam em endereço fixo. Ou seja, tinham consultórios, como manda o figurino moderno. O curioso é que o médico no Antigo Egito se especializava em alguma área do corpo humano, mal começava os estudos. E isso é exatamente o oposto da tendência apontada no decorrer da história dos mais diferentes povos. Normalmente, o estudante de Medicina adquire primeiro um conhecimento generalista sobre os organismos vivos e só depois opta por alguma especialidade. Os egípcios, nesse aspecto, foram exceção.

O mais antigo médico egípcio conhecido foi Hesy-Ra, que viveu por volta do ano 3000 a.C. e só cuidava de dentes. No entanto, sabe-se por documentos que Hesy-Ra tinha colegas que se dedicavam exclusivamente ao nariz, ao ânus, aos olhos e ao abdome. Deduz-se, desse modo, que a medicina tenha surgido no Antigo Egito como uma constelação de especialidades muito distintas e que essas, com o passar do tempo, acabaram se reunindo. Ao desvendar a anatomia e mostrar as relações entre as estruturas do corpo, a mumificação deve ter contribuído para essa unificação. 

Contudo, fique claro, a prática da mumificação rendeu conhecimentos anatômicos que nada têm a ver com as informações científicas de hoje em dia. O coração, é verdade, parece ter recebido um merecido destaque como centro da vida. No entanto, as demais vísceras eram desprezadas, na hora de fazer a múmia. Esta seguia para o outro mundo sem cérebro, por exemplo. Porque, segundo os antigos egípcios, a massa cinzenta, si-tuada na cabeça, não iria fazer a menor falta.

De seu lado, os vasos sangüíneos, chamados de mutus, eram considerados importantíssimos. Talvez, porque fizessem parte do mesmo sistema do coração. Daí que apalpar os pulsos era a principal técnica usada para examinar a quantas andava a saúde de uma pessoa. A medicina do Antigo Egito dava prioridade aos movimentos de fluidos e compostos vitais pelas veias e artérias. Alguns estudiosos suspeitam que essa concepção sobre a fisiologia humana tenha sido resultado direto da influência do Rio Nilo nessa civilização.

Os papiros egípcios também relatam várias doenças. Os médicos se impressionavam, por exemplo, com a possibilidade de o sangue coagular e de as artérias endurecerem, nos casos de aterosclerose. O ânus recebia igualmente um tratamento especial: tanto assim que todo faraó tinha um médico exclusivo para cuidar do seu - os vermes provocavam pânico. Como eram encontrados freqüentemente nas múmias, os egípcios acreditavam que esses micróbios eram legítimos mensageiros da morte. Além disso, quando apareciam, muitas vezes eram o anúncio de diarréias fatais. Quanto às cirurgias, há diversas referências, inclusive gravuras de casos de circuncisão - aliás, não se sabe o motivo, só os sacerdotes e nobres podiam se submeter a essa operação.

Como os demais povos da Antigüidade, os egípcios não tinham idéias precisas sobre os mecanismos da fecundação. Acreditavam que só o esperma tinha o poder de gerar e a tarefa feminina seria a de uma espécie de receptáculo. O teste de gravidez era à base da urina da mulher: a paciente urinava sobre um punhado de cereais; se, dali a alguns dias, eles crescessem, era sinal de que estava grávida. Ao menos, de acordo com os médicos egípcios. Quanto aos remédios, eles acreditavam que o organismo era capaz de produzir, ele próprio, os mais potentes medicamentos. Daí a mistura para dor de cabeça. O fato é que quase todos os povos receberam influência dessa medicina e copiavam suas receitas, por mais estranhas que fossem.





(PESQUISA - SUPER número 8 ,ano 6)
Por Francisco Moreno de Carvalho